Codex de Notas de Lore

Anotações de um Náufrago e diários de personagens espalhados pelo mundo — a história por trás de Palpagos.

Diário da Auri 1

Ilhas de Pálpagos

Diário da Auri 1 Por puro capricho, resolvi escrever essa coisa que chamam de |diário|. Parece ser um costume dos humanos, pelo que me contou uma filha deles no passado. Aparentemente, serve para registrar os acontecimentos marcantes de cada dia. Para uma vida tão longa como a minha, |um dia| é uma unidade de tempo insignificante. Mas aquela garota, que acabou desaparecendo enquanto eu passava meus dias em vão, deixou uma grande quantidade de registros assim. Por isso eu resolvi imitá-la. Eu agora estou numa ilha remota. Um lugar onde inúmeras formas de vida se acotovelam para ocupar um espaço limitado, todas com características tão únicas quanto variadas. É uma situação realmente artificial e estranha, mas imagino que tudo se deva àquela grande árvore. A enorme força vital que flui das raízes da árvore e se espalha pela ilha é o que dá forma a esta paisagem. Parece ser uma força excessiva, que vai contra as leis da natureza… Mas é algo um tanto curioso, e por isso decidi permanecer aqui por um tempo! Muito bem, terminarei por aqui o primeiro dia deste |diário|, um fruto do meu capricho. Se me der vontade, talvez volte a escrever. Mas quantos séculos terão se passado até lá?

-250, -1420

Diário da Auri 2

Ilhas de Pálpagos

Diário da Auri 2 Essas criaturas chamadas de seres humanos são mesmo esquisitas. Se eu fosse defini-los com uma única palavra, seria |ganância|. Eles nunca estão satisfeitos. Nunca sabem quando parar. Embora haja uma grande diferença entre um espécime e outro… em geral, estão sempre buscando |um lugar mais alto|, |algo mais além|. E avançam incansáveis nessa busca. Nos poucos séculos desde que me estabeleci nesta ilha, eles já criaram a civilização mais avançada do planeta. Aquela árvore… Como a chamavam? |Árvore Mundial|. Mesmo que tenham recebido grandes dádivas daquela árvore, sua velocidade de desenvolvimento é fora do normal. E é por isso que eu gosto deles. Não me canso de observá-los. Nos últimos tempos, eles andam estudando com máximo afinco aquela forma de vida que caiu dos confins do espaço. Parece divertido, então talvez eu também devesse dar as caras por lá. Do ponto de vista dos humanos, eu sou uma forma de existência completamente divergente. Por isso me contive até agora, evitando interagir demais com eles. Pois poder excessivo poderia facilmente acabar com a harmonia deste mundo. Ainda assim… É, acho que já é hora! Afinal, a própria Árvore Mundial já representa um poder excessivo. Vou interagir com eles, mas sem revelar o poder que abrigo dentro de mim. É, acho que é uma boa ideia!

-239, -1479

Diário da Auri 3

Ilhas de Pálpagos

Diário da Auri 3 Já passou algum tempo desde que comecei a interagir com eles. É a primeira vez que escrevo novamente no meu diário em um intervalo tão curto. Mas acontece que encontrei uma pessoa incrível. Ela se chama Zenara. Quando nos vimos pela primeira vez, não achei que ela fosse humana. Sua aparência era de uma humana típica, isso é claro. Mas aqueles olhos. A direção para onde eles se voltavam. Era um olhar completamente diferente de qualquer outro humano que eu já tinha visto. Era como se ela estivesse sempre observando o mundo do alto… Ela sem dúvida deixará sua marca na história. Pelo que ouvi, é ela mesma quem está estudando aquela forma de vida que apareceu voando do espaço. Mas isso era de se esperar. Afinal, ela parece ser extraordinariamente genial. Além disso, ela é muito dedicada e de boa índole. Os humanos tratam de diversas maneiras as demais formas de vida que habitam a ilha, em especial aquelas chamadas de |Pals|. Alguns os maltratam, outros os exploram, outros os amam… Mas o que Zenara deseja é a convivência. Ela pretende construir um paraíso onde humanos e Pals possam conviver em paz, abrindo seus corações uns aos outros, superando a barreira que existe entre as duas espécies… Foi isso que ela me disse. Eu mal posso esperar. Já observei a história dos humanos por um longo tempo, mas nunca vi ninguém criar um mundo como esse. A propósito, enquanto tínhamos essa conversa aos pés da Árvore Mundial, eu comecei a sentir uma certa indisposição. Achei estranho, pois eu não devia ter flutuações de saúde assim…

-583, -1499

Diário da Auri 4

Ilhas de Pálpagos

Diário da Auri 4 Foi um dia que chegou de súbito. Quando me dei conta da atmosfera anormal e saltei para agir, tudo já havia começado. Eles construíram uma civilização que se espalhou dos pés da Árvore Mundial para todas as regiões da ilha. Mas agora sua luz estava prestes a se apagar. Eu permaneci hesitante, pensando se devia descer até a superfície para averiguar a situação, mas foi tão repentino. Tive uma sensação de arrepiar os cabelos. Sem dúvida alguma, era ela quem estava por trás da Calamidade. Depois de incendiar a terra quase por inteiro, ela alçou voo a uma velocidade inimaginável para qualquer ser vivo… … e então tentou derrubar este lugar, a Terra do Esplendor Celeste. |Não concederás poder desmedido àqueles de destino mortal.| Até eu achei surpreendente como foi fácil desobedecer a regra que impus a mim mesma. Para chegar a isso, imagino que eu gostasse mesmo deste lugar. Eu não tive nenhuma intenção de conter minhas forças. No entanto, mesmo fendendo lagos, pulverizando colinas e sacrificando muito desta terra, acabei perdendo para ela. Ela… Ela estava |devorando| o planeta. Frente a ela, qualquer existência natural como a vegetação ou qualquer forma de vida com raízes profundas neste planeta teria sua força sugada como um bebê indefeso. Se a batalha tivesse se estendido um pouco mais, eu teria sofrido um golpe derradeiro. Entretanto, eles… Os filhos dos homens, com uma determinação ferrenha, ao lado dos Pals poderosos que os ajudam, ofereceram suas vidas para lutar no meu lugar. Assim, ela acabou selada dentro da Árvore Mundial e eu sobrevivi. Que patético. Justo eu, que levei uma vida muito mais longa que a deles e que tenho tanto poder. Agora, é graças ao sacrifício deles que continuo com vida. Eu… Eu tenho a obrigação de pôr um fim nessa Calamidade.

-436, -1510

Diário da Auri 5

Ilhas de Pálpagos

Diário da Auri 5 Depois que ela foi trancafiada, eu corri por todas as partes até finalmente compreender a maior parte da situação. Eles já não têm mais forças para restabelecer e manter sua civilização. Aqueles que sobreviveram continuam, a muito custo, apenas confiando o futuro às próximas gerações. Não podem fazer nada senão passar adiante uma tocha já quase apagada. Além da civilização, eles perderam também seus meios de transporte avançados. Eu então decidi guiar, no lugar deles, o povo sobrevivente na Terra do Esplendor Celeste. Mas, antes disso, preciso usar todos os recursos dos quais disponho. Algum dia aquela Calamidade voltará a surgir. Ela continua devorando a Árvore Mundial, mesmo depois de selada. Não sei quantos milênios levará, mas é certo que esse dia há de chegar. Eu não fui forte o bastante. Imagino que apenas os humanos possam derrotá-la. Alguns dos Pals que lutaram ao lado dos humanos também sobreviveram. <characterName id=|KingWhale|/>. Esta espécie protege o grande oceano desde a antiguidade. De algum modo, consegui encontrar uma mãe já incapacitada e seu filhote. A mãe não parecia que ia durar muito. Pedi emprestada sua força para criar uma barreira para impedir qualquer um desprovido de poder de se aproximar da Árvore Mundial. Aqueles que escolheram continuar sua luta dentro da árvore, eles… Eles também entenderam o meu ato. Depois de criar a barreira com suas últimas forças, a mãe confiou a mim seu filhote. Em um futuro distante, quando surgir alguma pessoa capaz de aniquilar a Calamidade, ele deve ser capaz de guiá-la. E então eu também deverei me tornar guia novamente. Pois, como sobrevivente da Calamidade, esse é o sentido da minha existência — e também o meu dever.

-454, -1329

Diário da Auri 6

Ilhas de Pálpagos

Diário da Auri 6 Há muito tempo que não escrevo um diário. Acontece que a hora tão esperada finalmente está por chegar. Aquela pessoa, em um futuro não muito distante… Ela se erguerá à minha frente, custe o que custar. É claro que não pretendo facilitar nada para ela, mas eu tenho plena confiança em suas qualidades. Sim, é aquele o ser humano capaz de encerrar o pesadelo da Calamidade que ainda hoje continua. Pois bem. Assim sendo, preciso me preparar para receber sua visita com um sorriso! Foi à espera desse momento que pratiquei inclusive como lutar ao lado dos Pals. Enfim poderei retribuir o favor a eles. E enfim poderei dar um fim àquelas duas. Perdoe-me por ter demorado tanto, Zenara.

-560, -1341

Diário da Zenara 1

Árvore Mundial

Diário da Zenara 1 Na data de hoje, fui nomeada como responsável pelo projeto de pesquisa biológica. O alvo dos estudos é a pequena forma de vida desconhecida que caiu ontem aos pés da Árvore Mundial. É uma criatura semelhante a um dragão desprovido de patas e de cor branca como a neve. Imagino que ainda seja um filhote. Pretendo continuar com a observação e as experiências.

-1896, 1444

Diário da Zenara 2

Árvore Mundial

Diário da Zenara 2 Batizei o sujeito da pesquisa de |Astralym|. Astralym não é deste planeta. Não se observa boca, sistema digestivo ou sequer órgãos reprodutivos. Os Pals desta ilha sem dúvida são criaturas fantásticas, mas nem eles fogem à regra dos demais seres vivos, pois também comem e se reproduzem. Astralym, no entanto, nem isso faz. Se não come, como faz para ter forças? Se não se reproduz, como mantém sua espécie?

-1713, 1393

Diário da Zenara 3

Árvore Mundial

Diário da Zenara 3 Desde que trouxemos Astralym para o laboratório, não se observava quase nenhum movimento. Como não come nem se reproduz, suponho que não precise de muita atividade. Contudo, momentos atrás, quando me direcionei para sair do laboratório… Eu vi Astralym se mover por trás do vidro, como se quisesse me seguir. Será que minhas tentativas de interação estão gerando frutos? Se essa criatura tem pensamentos e sentimentos próprios, isso são ótimas notícias. Afinal, eu me tornei cientista a fim de buscar um mundo onde os humanos e todos os seres com consciência possam conviver em harmonia. Não há ninguém que tenha levado esse meu ideal a sério. Ou melhor, seria mais certo dizer que |não havia|. Aquela que não é humana, vinda da Terra do Esplendor Celeste… Auri. Ela foi a única que não riu de mim.

-1974, 1623

Diário da Zenara 4

Árvore Mundial

Diário da Zenara 4 Nestes últimos meses a situação mudou de forma estonteante. Eu estava no processo de desvendar a verdade por trás desta criaturinha. Astralym é o que podemos chamar de um |terminal de terraformação|. Ela absorve energia vital do planeta e, ao mesmo tempo que se desenvolve, converte isso em uma forma de energia desconhecida dentro de seu corpo. É uma energia com a propriedade de substituir qualquer tipo de substância por outra específica. E a substância após essa substituição se assemelha bastante aos tecidos do próprio corpo de Astralym. Em suma, ela é capaz de devorar o planeta e reconstruí-lo, e é assim que se prolifera. Um organismo vivo perfeito e semelhante a uma máquina, desprovido de consciência ou qualquer coisa do tipo. Como seria bom se isso fosse verdade… Agora que seu corpo está enorme, ela passou a se comunicar comigo por um método desconhecido, fazendo ecoar uma voz diretamente no meu cérebro. Usando o idioma dos humanos de forma titubeante, ela se comunica comigo… Ela não tem intenção de nos causar nenhum mal. Mas como podemos fazer para conviver com ela? Se o alto escalão descobrir a verdade, vão querer matá-la ou usá-la para fins militares… Certamente não vai acabar bem. Eu tenho que encontrar um jeito…

-1950, 1193

Diário da Zenara 5

Árvore Mundial

Diário da Zenara 5 Eu me afastei do laboratório por um bom tempo, como há muito não fazia. Mas valeu muito a pena. Como imaginei, a chave para resolver o problema está na Árvore Mundial. Aquela criaturinha continua se esforçando ao máximo para evitar absorver energia. Nem posso imaginar o sofrimento de ter que controlar as funções naturais do corpo apenas com a força de vontade. Detesto o fato de eu ser só uma única pessoa. Por favor, espere só mais um pouco.

-1935, 1477

Diário de Axel Travers 1

Ilhas de Pálpagos

Diário de Axel Travers 1 Cada dia é mais chato que o outro; não encontro rivais em lugar nenhum. Não importa o tipo de oponente: ninguém está à minha altura. Quero lutar contra alguém poderoso do outro lado do mar, alguém que ainda não conheço. Mas não vou ganhar por pontos. Quero o confronto ideal, uma vitória esmagadora por nocaute. A postura de combate perfeita e tensão o bastante para eletrizar qualquer um. Com meus raios que superam qualquer chama, hoje também eu subo ao ringue. Ei, você aí, bisbilhotando meu diário. É muita coragem. Nunca me subestime, pois eu vejo tudo.

-667, -273

Diário de Björn Seligson 1

Ilhas de Pálpagos

Diário de Björn Seligson 1 Eu vivi sempre em busca de mais força, tudo para |aquele momento| que eu sequer sabia se iria chegar. Acha que eu tive dúvida ao menos uma vez? De jeito nenhum. E pelo visto vou conseguir acabar a vida sem me tornar um ancião patético. |Aquilo| virá até aqui com certeza. Os eruditos de antigamente construíram torres pelas ilhas como uma prova de sabedoria — como fundações de uma paz provisória. Mas imagino que elas devem aparecer muito claramente também para aquele que agora tenta causar o pandemônio. Que ironia. |Então não existe nelas nada de bom?|, você decerto se pergunta. Isso não. É graças a essas construções tão evidentes que posso recordar sempre como isto é uma punição. Em nome dos tantos povos que nem sei como se chamam, hei de matar o invasor cujo nome eu também desconheço. Meu dever será cumprido.

-1079, -1314

Diário de Björn Seligson 2

Ilhas de Pálpagos

Diário de Björn Seligson 2 Este lugar está amaldiçoado. Ou melhor, amaldiçoados estamos eu e o <characterName id=|SnowTigerBeastMan|/>. Aconteceu há milênios atrás, quando um castelo colossal que quase ia de encontro aos céus ainda estendia suas raízes por esta terra. Foi então que |aquilo| surgiu de repente. O firmamento se partiu e nós caímos em desgraça; os membros da nossa linhagem, a qual observava os outros povos desde as alturas, acuaram-se prontamente com o rabo entre as pernas. Apenas eu — digo, apenas meus ancestrais se recusaram a abandonar as pessoas e a terra já convertida em cinzas. Decaídos dos céus, reuniram os povos desnorteados e fizeram frente |àquilo|. Desde aqueles tempos, tomamos uma resolução inabalável e nos tornamos o Povo Decaído. E assim minha linhagem, que antes apenas participava passiva do mundo, assumiu um novo trono e prometeu carregar o fardo de toda a responsabilidade.

-968, -1172

Diário de Björn Seligson 3

Ilhas de Pálpagos

Diário de Björn Seligson 3 O combate com aquilo não terminou. Mesmo a força de um dragão veloz como o relâmpago, um par de cavalos celestiais e um solícito cavaleiro sagrado não bastaram para destruí-lo. Para impedir sua fuga, os cavalos celestiais envolveram a ilha em um inverno e uma noite intermináveis. O cavalo negro sumiu envolto pelo breu, fugindo sabe-se lá para onde. Esta terra permaneceu invisível e parada no tempo, tornando-se impossível sair dela. O cavaleiro sagrado, constrangido pela própria derrota, dividiu seu corpo em dois, demonstrando sua eterna aversão à piedade. O dragão relampejante partiu para os confins do firmamento e desapareceu. Pensando bem, se ele agora retornou de repente em seu voo gracioso, deve ser porque pressentiu a vinda |daquele momento|. E assim temos o agora. Com ele continuando a dormir. Você deve se perguntar se eu defendo esta terra apenas para cumprir meu dever. Não é o caso. Não posso ocultar o motivo real, por mais que tente mostrar afetação. No fim das contas, o que eu quero é apenas encontrar alguém mais forte.

-841, -1213

Diário de Björn Seligson 4

Ilhas de Pálpagos

Diário de Björn Seligson 4 Será que a filha única de Rayne está bem? Eu fiz algo muito ruim para ela. De qualquer modo, da última vez que a vi ainda era uma bebezinha sendo amamentada pela mãe. Ela não deve recordar. Mas eu não me dava nada bem com ele. Ele não era um homem de se deixar levar nem pelo dever, nem pelo passado. No dia da nossa despedida, ofereci a ele uma |prova de graduação|. Que pretensão patética. No fim das contas, não passou de uma provocação infantil. Para minha surpresa, ele aceitou sem titubear. Era um homem mais racional do que eu imaginava. Foi uma tarefa que até um pirralho seria capaz de completar. Mas ele jamais retornou. Com isso os jovens que se reuniam ao seu redor perderam a liderança; mas, depois que a filha assumiu o comando, aparentemente as coisas se acalmaram um pouco. Ela seguiu por um mau caminho, mas ao menos está cumprindo o dever de proteger a torre. Ela é mesmo filha de quem é, sem tirar nem pôr.

-660, -938

Diário de Björn Seligson 5

Ilhas de Pálpagos

Diário de Björn Seligson 5 Isto é só uma conjectura, mas… Se tudo terminar, se eu for eximido de qualquer responsabilidade… O que será que vou fazer? O que farei nos curtos anos que me restam na velhice? O que querem que eu faça? Certamente continuarei a lutar. Até me exaurir por completo. O mundo é vasto. Sem dúvida existe lá fora um número incontável de oponentes tão fortes que eu sequer posso imaginar. Se é assim, não seria má ideia consertar aquele barco. Já faz tempo que não saio para o mar. Aliás, também já é uma boa hora para o <characterName id=|SnowTigerBeastMan|/>. Depois de dar conta |daquilo|, talvez eu deva procurar uma parceira para ele.

-1305, -1686

Diário de Lily Everhart 1

Ilhas de Pálpagos

Diário de Lily Everhart 1 Pals: criaturas fantásticas. Seres sublimes que sustentam nossa civilização desde a antiguidade. Inteligência aguçada, mobilidade extraordinária, adaptabilidade elevada… E, ainda por cima, aparência adorável — é impossível não adorar tudo sobre eles. Humanos: criaturas boçais. Insatisfeitos com a prosperidade da própria espécie, sentem necessidade de subjugar e escravizar as demais. Guerras sem sentido, consumo desnecessário de carne, expansão despropositada. E, ainda por cima, aparência repugnante — é impossível não detestar tudo sobre eles. Os humanos capturam os Pals para forçá-los a trabalhar. Aprisionam-nos em bolas que chamam de |esferas de Pal| para subjugá-los. Que utensílios abomináveis. Não há como não pensar neles como a maior mancha na história da nossa civilização. Pals e humanos deveriam se ajudar entre si. Deveriam construir uma relação de mutualismo, não de hierarquia. Matar Pals para se alimentar nada mais é que uma afronta aos deuses.

-51, -216

Diário de Lily Everhart 2

Ilhas de Pálpagos

Diário de Lily Everhart 2 Esta é a história de quando eu e a <characterName id=|LilyQueen|/> nos conhecemos. Foi um dia de neblina bastante densa; eu lembro que não se podia ver quase nada em frente. Eu estava andando como sempre pelas plantações para colher frutinhas e, quando me dei conta, acabei me metendo em algum lugar onde podia escutar as vozes daqueles Caçadores Clandestinos odiosos. Foi então que, na direção de onde vinham as vozes imundas e o som de esferas, avistei vagamente a forma esplêndida de um lírio. Ai, quanta beleza, quanta elegância! No mesmo instante eu tomei uma resolução. Esgueirei-me por trás dos caçadores e cravei uma faca no coração de cada um, quebrando todas as esferas que se espalharam pelo chão. Fui atingida de raspão pelas balas, mas não havia de ser nada. Como não podia tocar naquela linda flor com as mãos encharcadas de sangue, voltei como estava até a base. Foi então que a Rainha dos Lírios surgiu diante de mim. Eu toquei em Sua Majestade e meus ferimentos foram curados; inclusive minhas pernas, cansadas pelo combate, tornaram-se mais leves. Desse em dia diante eu decidi andar sempre ao lado da rainha. Ela é a única flor capaz de desabrochar neste mundo de escuridão.

218, -257

Diário de Lily Everhart 3

Ilhas de Pálpagos

Diário de Lily Everhart 3 “Que tal fazer parte da Associação de Proteção aos Pals?| A Associação de Proteção aos Pals é uma entidade que atua em prol dos nossos amiguinhos. Ela é formada por amantes de Pals que apreciam a companhia deles. Apresentamos abaixo nossos cinco valores fundamentais: 1. Jamais comer Pals. 2. Jamais fazer Pals trabalharem em excesso. 3. Jamais maltratar Pals. 4. Jamais usar Pals como cobaias. 5. Arriscar a própria vida pelos Pals, se necessário. Que tal se juntar a nós para ajudar a proteger esses amiguinhos tão importantes? Oferecer a própria vida pela proteção dos Pals não é um mau negócio, não acha? O sangue e suor dos seres humanos deve ser usado em prol dos Pals.

-7, -265

Diário de Marcus Dryden 1

Ilhas de Pálpagos

Diário de Marcus Dryden 1 É brincadeira. A cambada deste lugar só quer saber de remédios, são mesmo uma escória. Por mais que eu supervisione, não tem solução. Heh, eu não devia ter formado a Milícia Popular num antro assim. O sujeito que eu revistei hoje sequer teve como pagar a multa. Bem, como gastam todo o dinheiro comprando os remédios, imagino que faça sentido. Eles não fazem nem ideia de que o dinheiro que gastam nos remédios vem parar no meu bolso. Eu lucro vendendo remédios, depois lucro de novo multando essa gente por posse de remédios. E, confiscando o que eles tiverem, ganho mais mercadoria para revender. Eles são uns imbecis e eu sou um gênio. A culpa é deles por terem nascido tão burros. Já deu pra entender? No fim das contas, esta ilha é um tanquinho de areia onde eu posso brincar como quiser. Por mim eles podem continuar sem saber que sou eu quem vende os remédios e também quem proíbe o uso. Que continuem assim até morrer. Se eu deixar que coloquem as asinhas de fora, sem dúvida vão querer reivindicar algum direito ou alguma coisa estúpida assim que uma ralé como eles não merece.

339, 363

Diário de Marcus Dryden 2

Ilhas de Pálpagos

Diário de Marcus Dryden 2 A vida fora da prisão nem sempre é tranquila. É só mudar a direção do vento que eu já tenho prejuízo. Hoje, por exemplo, um idiota dos Caçadores Clandestinos teve a brilhante ideia de tentar vender ele mesmo os remédios. O trabalho de eliminar esses imbecis fica sempre com o meu <characterName id=|Horus|/>. Ele se parece muito comigo, adora brincar no tanque de areia. Ou melhor, será que gosta de comer areia? Ei, não me olhe assim. Não tem ração hoje de novo. Vá comer |areia|.

597, 331

Diário de Marcus Dryden 3

Ilhas de Pálpagos

Diário de Marcus Dryden 3 Mais um dia de paz na ilha. É prova de que eu venho brincando bem de casinha aqui. Não é mesmo, <characterName id=|Horus|/>? Mas eu já sei, viu? Eu sei que você tem os mesmos olhos que eu. Você também anda cuidando bem da casinha? Vai esperar até o dia que eu bater as botas, não é? Você gosta de comer |areia|, afinal. Algum dia a gente vai descobrir se eu sou só areia presa nas suas asas ou não. Pelo menos até lá a gente continua sendo amigos, certo, parceiro?

433, 535

Diário de Saya Kurosaki 1

Ilhas de Pálpagos

Diário de Saya Kurosaki 1 A lua nesta ilha nunca muda. Aliás, não sei se mudar de fase seria de fato sua lei natural. Já faz anos que aquela pessoa naufragada veio parar aqui, dizendo achar suspeito que a lua não minguasse. Como se o tempo permanecesse inerte. Ainda hoje, pensar na |lua crescente| que mencionou me causa um rebuliço no peito. Aparentemente, quando a lua volta a surgir depois de ter desaparecido, ela primeiro assume a forma de uma lâmina no céu. Será que algum dia poderei realizar meu sonho de ver essa lâmina lunar que anuncia um novo começo? Hoje é mais uma noite de lua cheia. Mais uma noite de saquê sem gosto.

-590, 203