Codex de Notas de Lore
Anotações de um Náufrago e diários de personagens espalhados pelo mundo — a história por trás de Palpagos.
Anotações de um náufrago, dia -xx
Anotações de um náufrago, dia -xx Existe um segredo no mundo. Foi no final do ano passado que cheguei a essa conclusão, quando averiguava a geografia do planeta para minhas pesquisas. Observando as ilhas ao redor do planeta, senti que, misteriosamente, havia um local |em aberto|. Com certeza existe algo nesse lugar. É um único ponto perfeitamente vazio que salta tanto aos olhos que é incrível eu não ter percebido antes. Levei alguns meses para fazer os preparativos e, com base nas minhas hipóteses, fui capaz de inferir a localização da ilha. Eu então decidi partir sozinho em uma viagem de barco.
Anotações de um náufrago, dia 0
Anotações de um náufrago, dia 0 Por algum motivo fantástico, o mar foi encoberto por uma espessa cerração e não pude avistar esta ilha onde agora me encontro. No momento que girei o timão para escapar do nevoeiro, o barco foi envolvido por uma brancura ainda mais densa e atacado por algo desconhecido! Não sei de onde veio o ataque. Embora o barco tenha sofrido grandes danos, consegui chegar até a costa com o que restou dele. Esta ilha é um lugar |escondido do mundo|, que não consta em nenhuma base de dados. Mas por que ela estaria oculta? Por que teria desaparecido de todos os mapas? Sem dúvida foi por obra de algo ou alguém. O ataque que eu sofri há pouco não seria parte do complô para mantê-la encoberta? São muitos os mistérios, mas eu juro que hei de solucioná-los todos.
Anotações de um náufrago, dia 1-1
Anotações de um náufrago, dia 1-1 Encontrei na praia um terminal misterioso. Ele se assemelha a um dispositivo eletrônico qualquer, mas possui um design fantástico que não é da nossa era. Parece ser capaz de gravar imagens e registrar informações a respeito do que nelas aparece. Decidi registrar estas minhas anotações de pesquisa juntamente com as imagens que puder capturar na ilha.
Anotações de um náufrago, dia 1-2
Anotações de um náufrago, dia 1-2 Logo depois de chegar à ilha, encontrei uma criatura misteriosa. Aliás, não apenas uma: todos os seres vivos que encontrei até então nesta ilha têm uma aparência jamais vista antes. Em contrapartida, quase nenhum dos seres vivos que já conhecemos parece habitar aqui. Pelo visto a ilha possui um ecossistema único. Agora estou confiante de que ela não é apenas uma ilha que |não está no mapa|. Começarei a registrar neste dispositivo o modo de vida de cada criatura.
Anotações de um náufrago, dia 10
Anotações de um náufrago, dia 10 Hoje decidi sair com meus Pals para uma excursão um tanto mais longa. Isso porque uma torre que se vê ao longe já vem me intrigando há algum tempo. Durante a caminhada, para minha surpresa, encontrei uma pessoa. Tentei puxar conversa, mas ela apontou o cano de uma arma na minha direção sem sequer dizer nada! Estando nesta ilha, seria natural pensar que ela se tratava de algum sobrevivente da civilização antiga, mas… seus equipamentos eram muito semelhantes aos de alguém da nossa época. Seria alguém vindo de fora, do mesmo modo que eu? Ou a civilização antiga teria avançado de forma similar à nossa? Foi uma situação bastante perigosa, mas pude escapar do aperto graças a meu Pal ovelha, que me protegeu. Voltei logo à minha base, são e salvo assim como meus Pals. Esta ilha ainda está repleta de surpresas.
Anotações de um náufrago, dia 11
Anotações de um náufrago, dia 11 Ontem consegui escapar rapidamente, mas aquela torre ainda me intriga. Decidi criar algum tipo de equipamento para poder me aproximar dela outra vez. Mal pensei isso, entretanto, quando ouvi um disparo de arma de fogo vindo de trás de mim! Ao que tudo indica, a pessoa de ontem estava me seguindo. Eu já não podia deixar barato. Usei todos os meus Pals para retaliar. Eles não puderam controlar o ímpeto e acabaram matando a pessoa, mas… era uma situação de matar ou morrer. Foi legítima defesa.
Anotações de um náufrago, dia 12-1
Anotações de um náufrago, dia 12-1 Enquanto me dirigia mais uma vez até a torre, voltei a ouvir disparos. Aparentemente são grupos de pessoas em disputa por território. No momento estão brigando por causa dos Pals. É um lugar bastante perigoso. O melhor a se fazer é passar despercebido.
Anotações de um náufrago, dia 12-2
Anotações de um náufrago, dia 12-2 Parando para descansar um pouco, voltei a pensar naquelas pessoas, mas não consegui chegar a nenhuma conclusão. Se elas vieram de fora assim como eu, é estranho pensar que um grupo tão grande poderia permanecer oculto do mundo exterior. Seria mais acertado pensar se tratarem de sobreviventes da civilização antiga brigando pela própria subsistência. Nesse caso eu não saberia explicar como eles possuem armas de fogo, mas talvez seja natural pensar que eles mesmos as inventaram. Também existe a possibilidade de que tenham imitado armas que por algum motivo acabaram arrastadas aqui pela maré.
Anotações de um náufrago, dia 12-3
Anotações de um náufrago, dia 12-3 Após uma longa jornada, enfim cheguei até a torre. Não creio haver erro em dizer que ela pertence à civilização antiga. Contudo não faço ideia de qual seria seu propósito. Posso apenas sentir que existe alguma forma de energia passando por ela, assim como os minérios de palúdio. Ao tocar no monumento em seu interior, fui lançado para dentro de um espaço misterioso! Lá encontrei um Pal gigantesco e uma pessoa que o controlava. Fugi tomado pelo medo e, quando me dei conta, estava outra vez nas proximidades da torre.
Anotações de um náufrago, dia 13
Anotações de um náufrago, dia 13 Imagino que o povo antigo daqui levava uma vida próspera junto com os Pals. Mas por que essa prosperidade teria chegado ao fim? Pode-se imaginar ter sido o resultado de alguma catástrofe natural de grandes proporções ou alguma guerra por Pals ou recursos naturais. Ou, quem sabe, algo relacionado àquela experiência que eu tive na torre. Presumindo que exista algum tipo de poder capaz de causar um deslocamento espacial instantâneo como aquele (pensando bem, as esferas seriam algo similar), o que aconteceria se alguém abusasse dele? Sim, a civilização deste ilha teria sido destruída por uma força imensurável, que não pode ser controlada pela humanidade…
Anotações de um náufrago, dia 15
Anotações de um náufrago, dia 15 Eu vinha tentando não pensar nisso, mas as provisões que trouxe comigo terminaram, e eu já andava farto de comer as frutinhas daqui. Foi quando, por acaso, vi um Pal devorar a carne de outro. Parecia tão apetitoso… Senti um pouco de vergonha por pensar assim, mas não pude aguentar a fome. Atraí um Pal-galinha selvagem e então o assei para a janta. Estava uma delícia! Cheguei a chorar pela emoção de poder comer carne. Agora já matei uma pessoa e também um Pal. Sinto que continuar nesta ilha me faz ir perdendo o senso de moral.
Anotações de um náufrago, dia 18
Anotações de um náufrago, dia 18 Depois daquele dia não me aproximei mais da torre, mas expandi meu raio de exploração para outros lados. Parece que há cavernas em várias áreas daqui. Pelas aparências costumavam ser minas, pois pude notar nelas a presença da mão humana. Seriam buracos escavados com a ajuda dos Pals? Eu me senti prestes a perder as esperanças frente a tantos mistérios sem resposta, mas os Pals nunca me desamparam. Continuam sempre ao meu lado — isto é, contanto que eu lhes dê ração.
Anotações de um náufrago, dia 2
Anotações de um náufrago, dia 2 Enquanto andava explorando a região, encontrei uma esfera curiosa que emitia uma luz azul. Quando a joguei para o lado sem pensar muito, a criatura que estava por perto se transformou em raios luminosos e pareceu ter sido sugada para dentro da esfera. Eu mal pude acreditar, mas, ao recolher a esfera novamente, a criatura retornou daquele estado luminoso e começou a me encarar com um sorriso. Mais tarde, quando comecei a construir uma cabana para me proteger das intempéries, tamanha foi minha surpresa ao vê-la tentar me ajudar. Que felicidade! Sentindo afeto pelas criaturas da ilha, decidi chamá-las de |Pals|, que em inglês significa camarada. E, para combinar, também batizarei este lugar de |Ilha de Palpagos|.
Anotações de um náufrago, dia 22
Anotações de um náufrago, dia 22 O que seria aquele Pal gigantesco?! Quando passava pelas partes mais distantes da planície, avistei pela primeira vez um Pal enorme a caminhar. Acabei fugindo devido ao espanto, mas depois pensei que nunca mais teria medo de nada se tivesse um Pal daqueles como companheiro. A existência de uma criatura daquele tamanho talvez seja prova de que os Pals contradizem as leis da natureza. Será que eles não possuem alguma outra fonte de energia desconhecida além de alimentos ou fotossíntese? Talvez o poder da torre venha do uso artificial dessa mesma fonte de energia que sustenta os Pals.
Anotações de um náufrago, dia 25
Anotações de um náufrago, dia 25 Depois de conviver com os Pals por algum tempo, percebi que eles não apresentam nossos conhecidos hábitos de acasalamento. Basta um macho e uma fêmea formarem um par que, quando menos se espera, encontra-se um ovo nos arredores. Além disso, os corpos de Pals que morreram parecem simplesmente desaparecer. De onde os Pals vêm — e para onde eles irão? Tudo continua envolto em mistério.
Anotações de um náufrago, dia 29
Anotações de um náufrago, dia 29 Utilizando os textos que havia nas ruínas, obtive êxito em condensar ainda mais as esferas de Pal. Aprimorei o mecanismo de transferência de Pals e consegui transferir as próprias esferas! Desse modo certamente ficará muito mais fácil tomar conta dos meus Pals. Não é difícil imaginar que as pessoas da civilização antiga controlavam uma grande quantidade de Pals para usá-los no trabalho.
Anotações de um náufrago, dia 3
Anotações de um náufrago, dia 3 Em minhas explorações pela ilha encontrei algo semelhante a ruínas antigas. Será que pessoas costumavam habitar este lugar? Conforme fui decifrando os desenhos nos murais, descobri que eles descreviam o método de produção daquela esfera fantástica! Utilizando como catalisador um minério azul encontrado nesta ilha — vou chamá-lo de |palúdio|, por conveniência —, até madeira e pedras comuns podem ser convertidas em esferas. Deixarei o método de produção gravado também neste terminal. Em seguida experimentei rolar uma esfera até um Pal que estava ferido e imobilizado e obtive êxito em capturar mais um companheiro.
Anotações de um náufrago, dia 30
Anotações de um náufrago, dia 30 Hoje faz um mês desde que cheguei à Ilha de Palpagos. Já posso dizer que estou bastante adaptado à vida aqui. Ultimamente tenho feito os Pals criarem armas de fogo e andarem equipados com elas. Alguns deles pareciam ter interesse nas armas, por isso as adaptei um pouco para que eles também pudessem usá-las. São bastante hábeis no seu manejo. Tenho certeza de que assim se tornarão companheiros ainda mais confiáveis.
Anotações de um náufrago, dia 32
Anotações de um náufrago, dia 32 Eu me descuidei. Saí em uma excursão um pouco mais longa e acabei sendo ferido por um dos perigosos Pals noturnos. Por que os Pals desta ilha são tão agressivos assim? Sinto que eles não estão apenas tentando defender a si mesmos, pois usam de violência excessiva. Para dar um exemplo… é como se estivessem tentando proteger um líder. Será que é isso que a ilha representa para os Pals que vivem sozinhos? Tenho a impressão de que eles abrigam um desejo de proteger a ilha a qualquer custo.
Anotações de um náufrago, dia 38
Anotações de um náufrago, dia 38 Enquanto caminhava bastante longe do ponto onde fui trazido à ilha, encontrei uma grande estátua na forma de um Pal. Imagino não haver dúvidas de que se trata de algo feito pela civilização antiga, mas por que teriam erigido algo assim? Minhas descobertas de até então sugeriam que os Pals eram apenas companheiros que viviam junto com os humanos, mas, se existem imagens como essa, talvez eles fossem um objeto de fé. Será que existem Pals que representavam algo de especial para as pessoas e outros Pals?
Anotações de um náufrago, dia 5
Anotações de um náufrago, dia 5 Depois daquilo eu consegui fazer amizade com ainda mais Pals. Pals semelhantes a ovelhas, a galinhas, a gatos… E cada um parece ter aptidão para trabalhos diferentes. Eles se encarregam de tarefas por conta própria, tornando minha vida muito mais cômoda. Sem dúvida a civilização antiga foi capaz de prosperar graças à cooperação com os Pals. Nem todos eles são inteligentes, mas trabalham com dedicação de sobra. Imagino que aquelas ruínas também sejam de uma construção feita pelos Pals no passado. Deve haver algum motivo para ela ter acabado daquele jeito…
Anotações de um náufrago, dia 6
Anotações de um náufrago, dia 6 O que me pareceu mais fantástico quando cheguei a esta ilha foi uma espécie de |Árvore Mundial| que se vê muito, muito à distância. Se existe uma árvore tão grande assim… certamente deveria ser possível enxergá-la de fora da ilha, mesmo através da neblina, não? A única hipótese que me vem à cabeça é que, se não podemos avistar a ilha estando fora dela, não é apenas por causa de fenômenos atmosféricos. Digo, ela deve estar sendo mantida separada do mundo externo por algum outro processo. Por ora, talvez seja válido pensar que a força misteriosa dos Pals tenha algo a ver com isso.
Anotações de um náufrago, dia 8
Anotações de um náufrago, dia 8 Avistei por acaso um Pal montado sobre outro semelhante a um cervo. Isso me deu uma ideia: experimentei eu também colocar uma sela sobre um cervo para montá-lo. A sensação foi bastante confortável. Desse modo acho que poderei expandir meu raio de exploração!
Carta escrita com letra trêmula
Carta escrita com letra trêmula Querido tio, Agradeço por ter curado meus ferimentos mais uma vez ontem. E por ter cuidado também do Pal que estava comigo. O coitadinho foi muito maltratado por uns adultos. Não foi brigando com outros Pals que ele ficou daquele jeito. Será que aquelas pessoas odeiam os Pals? Pois eu gosto muito deles. E tenho muitos amigos que também gostam deles. Por isso, um dia quero me juntar com meus amigos para ensinar às pessoas malvadas que não devem maltratar os Pals, porque eles são muito fofos. Você também não quer me ajudar, tio?